É comum ouvir mensagens emocionantes dedicadas àqueles professores maravilhosos em todas as fases de nossas vidas. Mais, recentemente tive o privilégio de conhecer professores especiais que fazem um trabalho sensacional. Valorizam e mostram o acompanhamento próximo aos seus alunos. As palavras abaixo endossam as minhas impressões.
"Acompanhar os avanços e conquistas desse grupo tem sido um desafio encantador. À medida que nos conhecemos e nos integramos, fomos estabelecendo um vínculo de confiança e carinho, que, com toda certeza, trouxe segurança a esses “pequenos” para encararem as novidades da série.
Estamos diante de uma turma bastante heterogênea e, portanto, com muitas possibilidades de troca e crescimento. Crianças ativas e sabidas que estão aprendendo a explorar suas possibilidades e limitações, a ouvir e ajudar o outro, a dividir e ceder quando necessário. Afinal, temos visto que o nosso desafio é fazê-los compreender que as vontades não podem, todas, ser atendidas.
Aprender a conviver com novas exigências e cobranças da série tem sido um grande aprendizado. Nem sempre muito fácil, é verdade! Mas resultados positivos já começam a aparecer, e a esperada “postura de estudante” - que implica em maior necessidade de organização pessoal, atenção diante das atividades e autonomia nas ações cotidianas - faz as crianças participarem das propostas com maior harmonia e confiança. Acreditamos que é essa sintonia com o ambiente o que favorece a construção de novos conhecimentos.
João é uma dessas crianças que revela o quanto está feliz e avançando em sua série. Adaptou-se com tranquilidade à nova série e, apesar de demonstrar, nos primeiros momentos, resistência em separar-se da querida babá, logo se envolveu com as brincadeiras e atividades propostas.
João é único! É alegre, divertido, carinhoso, espontâneo, dinâmico, ousado, retraído, bem humorado, “bravo”, contraditório. E é essa mistura de características e sentimentos que faz dele um menino muito especial!
Expressa-se com clareza e fluência, exibindo rico vocabulário diante de todo o grupo. Reproduz poesias, parlendas e histórias, além de demonstrar interesse pelos livros da nossa Biblioteca: “Sabe qual que eu gosto? Da “Arca de Noé”! Foi a “Quis” que leu pra mim!”; “O Grúfalo tem dentes horríveis, uns pés feios, uma língua preta, chifre e um rabo e umas garras enormes! Uma aqui, outra ali!”.
Não podemos deixar de registrar o quanto foi divertida – e inteligente – a resposta que João deu quando foi pego de surpresa para mostrar a sua lição, que havia esquecido de fazer: “Eu fiz, sim! Vocês não tão vendo? É que eu pintei de branco e tá bem fraquinho, né?!”. Esse é o “nosso João”! Sempre muito criativo em suas respostas!
Ele reconhece a plaquinha do seu nome e algumas letras que o compõem: “JOÃO P. D. B. S.” começa com “J”!”.
Durante as conversas que realizamos sobre “O Fundo do Mar”, tema de nosso projeto, João mostrou-se interessado, contribuindo com alguns comentários: “A baleia conversa com os peixes, batendo as nadadeiras... E o tubarão-branco tem dentes afiados, sabia disso?!”. Apreciou os jogos e brincadeiras corporais, assim como as aulas de Música e Educação Física, apresentando movimentos harmônicos ao saltar em espaços delimitados, embora com certa cautela, já que revelou receios quanto à altura."
Deixo registrado aqui os meus sinceros agradecimentos à professora e minha profunda admiração pela qualidade do seu trabalho.
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domingo, 28 de junho de 2009
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
desabafo de pai
Cheguei pontualmente 7h30 da matina com a minha esposa para fazer a avaliação do terceiro bimestre de minha filha mais velha. Recebi boas novas da professora, o que, confesso, já esperava. Ela é uma filha maravilhosa e uma aluna exemplar, além de uma amiga excepcional, segundo as próprias colegas. Prova disso é que até hoje ela participa das festas de aniversários das turmas passadas e espalhadas em séries diversas.
A escola dela tem valores que eu, particularmente, admiro (está no portal o seguinte):
- Abrangente formação cultural;
- Respeito à pluralidade e à diversidade;
- Responsabilidade pessoal, social e ambiental;
- Preparo para trabalhar em equipe;
- Flexibilidade frente ao novo;
Mas também confesso que participar de uma reunião de pais de alunos cria um clima em meus nervos muito semelhante ao de uma reunião de condomínio. Com os professores é bem melhor, por uma série de razões que todos nós, pais, conhecemos.
A conversa com a professora fluiu bem. Profissional muito preparada, conduziu de forma admirável os pontos a serem discutidos sobre a minha filha. No fechamento da conversa, disparou a seguinte pergunta, com a caneta em punho e olhar fixo na minha resposta: “quais são suas expectativas para 2009, em relação ao colégio?”
Respondi: “queria muito que a escola parasse de empurrar informações e passasse a atrair os pais por meio de informações relevantes”. OK, me senti um “enochato” (aquele que fala de vinho até no banheiro da rodoviária), mas por que um papo tão bom tinha que acabar num tom áspero?
Não sei porque, mas no fundo, eu não consigo ver a escola como uma instituição com fins lucrativos, na linha de uma indústria como outra qualquer. Talvez pelo fato de envolver filhos e tudo parecer tudo sempre tão politicamente correto. Hoje estou consciente de que as barreiras são iguais ou até piores, entre os dois negócios.
Tanto a professora quanto a coordenadora pedagógica entenderam o que eu quiz dizer. Sugeri SIM que os pais formassem uma comunidade para troca de informações. Afinal, quem não tem dúvidas em relação a algumas datas de eventos, provas e entrega de trabalhos? Por que os pais (conhecidos, óbvio) não podem combinar via web “se um leva” e “outro vai buscar as crianças?”
Senti que a escola também gosta de ter o controle. A liberdade é boa, enquanto não interferir nas regras dos seus fundadores. Bem, fica aqui o meu desabafo: sou uma andorinha e não vou fazer verão, pelo menos enquanto as demais não saírem da gaiola.
A escola dela tem valores que eu, particularmente, admiro (está no portal o seguinte):
- Abrangente formação cultural;
- Respeito à pluralidade e à diversidade;
- Responsabilidade pessoal, social e ambiental;
- Preparo para trabalhar em equipe;
- Flexibilidade frente ao novo;
Mas também confesso que participar de uma reunião de pais de alunos cria um clima em meus nervos muito semelhante ao de uma reunião de condomínio. Com os professores é bem melhor, por uma série de razões que todos nós, pais, conhecemos.
A conversa com a professora fluiu bem. Profissional muito preparada, conduziu de forma admirável os pontos a serem discutidos sobre a minha filha. No fechamento da conversa, disparou a seguinte pergunta, com a caneta em punho e olhar fixo na minha resposta: “quais são suas expectativas para 2009, em relação ao colégio?”
Respondi: “queria muito que a escola parasse de empurrar informações e passasse a atrair os pais por meio de informações relevantes”. OK, me senti um “enochato” (aquele que fala de vinho até no banheiro da rodoviária), mas por que um papo tão bom tinha que acabar num tom áspero?
Não sei porque, mas no fundo, eu não consigo ver a escola como uma instituição com fins lucrativos, na linha de uma indústria como outra qualquer. Talvez pelo fato de envolver filhos e tudo parecer tudo sempre tão politicamente correto. Hoje estou consciente de que as barreiras são iguais ou até piores, entre os dois negócios.
Tanto a professora quanto a coordenadora pedagógica entenderam o que eu quiz dizer. Sugeri SIM que os pais formassem uma comunidade para troca de informações. Afinal, quem não tem dúvidas em relação a algumas datas de eventos, provas e entrega de trabalhos? Por que os pais (conhecidos, óbvio) não podem combinar via web “se um leva” e “outro vai buscar as crianças?”
Senti que a escola também gosta de ter o controle. A liberdade é boa, enquanto não interferir nas regras dos seus fundadores. Bem, fica aqui o meu desabafo: sou uma andorinha e não vou fazer verão, pelo menos enquanto as demais não saírem da gaiola.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
100 anos de imigração, 40 de aprendizado...

Minha avó materna, já falecida, nasceu em 1900. Chegou de navio ao Brasil, vinda do Japão, com a esperança de recomeçar a sua vida. Aprendeu a língua portuguesa pelo meio mais tradicional na época: "A Cartilha Caminho Suave". E conquistou a amizade, simpatia e admiração dos brasileiros ao seu redor.
Fui criado e educado por ela até os meus seis anos. Quem não tem boas lembranças das coisas da "vó"? O carinho, as receitas, as recomendações...puxa...que falta tudo isso faz nos dia de hoje. Ficou fixo na minha memória um episódio.
Já fazia cerca de três meses que não nos encontravámos. Decidi visitá-la num final de semana, logo após o almoço. Como de costume fui recebido com um sincero e forte sorriso, além de uma mão estendida. Nada das "italianadas" que pratico prazeirosamente em abundância com a minha família (beijos e abraços). Logo veio a pergunta, no melhor estilo nipônico, remixado com o tempero tropical: "você já comeu?" Respondi prontamente: "sim, obrigado!" Mesmo assim, com o intuito de tirar os três meses de "atraso", ela ligeiramente correu para a geladeira, com passos miúdos da típica oriental. Abriu a porta, reclinou-se na segunda prateleira e disparou: "tem feijón (feijão)...tem meron(melão)...tem chocorati (dispensa tecla SAP)...
Outra boa lembrança ocorreu no dia em que eu fui presenteado com um futon. Como toda criança que recebe um mimo personalizado, carregado de puro sentimento, fiquei eufórico. Me lembro que o tom era verde, com estampa típica do Japão. Abri o futon, olhei por alguns minutos e o dobrei novamente. Ela desdobrou tudo de novo e, cirurgicamente, alinhou ponta-com-ponta os quadrados da dobradura e, silenciosamente, colocou novamente no seu lugar.
Sinto saudades de aprender com o silêncio dos sábios, de receber a energia latente da ternura de quem te ama de verdade, sem cobranças, e das atitudes de pessoas que ensinam os descendentes a seguirem a vida com mais dignidade.
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